31 agosto, 2014

Flechas encantadas

Flechas encantadas

A uns seres abstratos,
não lhes tocam os versos!
Pois dentro deles não existem,
corações quentes e ternos!
Corações raros, que precedem!

Corações quentes são alvos,
de certas flechas encantadas,
envenenadas por versos.
Versos: veneno da emoção!
Que faz estremecer...
Todo o quente coração!

Mágicas flechas que voam.
Montadas por versos!
Riscam um céu de poesia!
Buscando o destino certo...
Só um coração queriam!

Versos-venenos; vão contaminar...
Voando em estrofes, no dorso das flechas.
Veneno impregnado; Encantando o ar!
Flechas encantadas, vivazes e certeiras!
Setas mágicas, que vão espetar!

Atravessam, com dor, o peito...
Encravam-se nos corações...
Espetam-se, na ternura...
Do amor, da carne pura!
Provocam emoções!

Versos querem envenenar...
Voam em flechas, cavalgam os ventos...
Sibilam num coro de rimas...
Buscam os corações atentos...
Nunca deixam de acertar...
Ficou gravado - este momento!

Vão flechas! Em saraivadas incautas...
Invisíveis! Não aos corações ternos...
Que tentam fugir – (acrobatas)!
Pois, que certeiras são elas!
Flechas montadas por versos!

Flechas encantadas e certeiras...
Tem versos nômades e errantes.
Mas, nunca erram seus alvos!
Obrigam, aos olhos distantes...
Avisarem o coração...
Que: -lhes espetaram num instante!

Flechas montadas por versos...
Atingem bem fundo, os corações.
Se pudessem, ficariam submersos.
Ou sorveriam abstrações!
Para não ser o alvo do veneno
Aquele veneno da emoções!

Edi

SONETO – TUAS FLORES

Só agora, me dei conta de "tuas flores”.
Repente; dum Pai ímpio (par docente)!
Premente; sábia e linda adolescente!
Aflora, a vida; afronta uns tais valores!

Se em ti, brotam, das pétalas, as cores...
Tua forma de mulher é reluzente!
Não tornas ser criança tão candente.
Partes à vida; buscas mais sabores…

Nas novas caminhadas, tens tropeços.
Das minhas, mãos de amparo; te desprendo!
Caminhos teus, percorres inclemente!

Nas trovas dum cantar, fez desvaneço!
Modinhas? De criança? Não compreendo?
Te lembras do meu colo docemente?

Edi

TEMPESTADE

TEMPESTADE

O dia vai embora num céu turvo!
Vai indo pra lugar algum...
Não sinto fome, não sinto frio.
Apenas o vazio que ficou em mim.

Silêncio e lembrança me habitam.
Nesta noite solitária, à tua presença.
E solitário, eis que aqui permaneço...
-Aqui estou, sempre aqui!

E, sentado num canto frio,
deste cômodo vazio de mim.
Ouço aquela sombra de ontem...
Uma, do meu próprio pranto!

Sombra, que me lembra um encanto!
Um que quer ser esquecido...
É um espectro que lembra tudo!
Na penumbra, o amor perdido!

Aqui estou, sempre aqui...
Nestas noites solitárias!
Cheias de sonhos e esperanças!
Cheias de silêncios e lembranças!

E nesta noite solitária que me restou...
Junto às trevas de vertigem e tontura!
Crepúsculo de todas as imagens!
Eis que agora também escuto...
uma nova chuva que cai,
em piedosos pingos de tempestade,
neste inverno que a mim restou...
Eu aqui, sempre aqui!

Edi

PAIXÃO

PAIXÃO

Ouviste tu, os trovões que lá ecoam,
por teu coração à dentro, tão fortes?
Viste os raios, que em ti estão... tão perto,
que já dentro de tua alma ressoam?

Eis a chuva forte de verão,
que a ti chega, tão de repente,
já, direta em teu coração...
É chuva em coração carente!

Eis que, sem aviso te chega,
duma abordagem repentina,
uma chuva quente da emoção.
É tal, uma chuva molhada e fina...
Não te deixa ver,
se não amalgamação!

Oh, o que deverias então vislumbrar?
Um único trajeto indefectível?
Perdeste-te sim, então, em teu caminhar...
Por entre os pingos que te caiam...
ao léu, e teus olhos a inundar,
enquanto um vento aprazível,
os teus cabelos, estava a soprar!

Edi