06 junho, 2014

SONETO DA DISCÓRDIA

Mensagem aos visitantes, para melhor entendimento:
O soneto abaixo foi escrito por mim, para rebater algumas
críticas radicais de alguns membros tradicionalistas de uma
comunidade poética que eu participo, quanto a legitimidade
da poesia livre (ou moderna), que são comumente postadas
por poetas respeitados daquela comunidade, cujos quais
preferem a poesia livre, apesar de conhecerem bem as
estruturas dos versos clássicos, porque estas permitem a
melhor manifestação da inspiração.
Por vezes, vi críticas ferrenhas a poemas lindos,
apenas por eles não conterem a estrutura clássica,
e considero isso injusto.
Acho que poetas atuais mais tradicionais e que se
sentem a vontade criando obras rebuscadas e dentro de
preceitos pré-estabelecidos, transportando em suas palavras
os sentimentos da poesia, estão certos e são tão importantes
quanto aqueles que fazem o mesmo com poesias livres.
Alguns destes tradicionalistas entendem que só os moldes
clássicos, metrificados e bem rimados podem ser considerados
“poesia”, opinião que eu não compartilho.
Acho que o poeta, acima de tudo, deve respeitar nossa língua
no momento da escrita e traduzir tudo o que vê e sente
em palavras escritas. É natural que, no mundo moderno
em que vivemos, exista muito mais criação de belíssimas
poesias livres que estruturadas, pois o que realmente importa

é a sensibilidade e a emoção causadas pelos versos...

“A poesia também pode ser livre!”

Edi
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SONETO DA DISCÓRDIA

São meras, tuas palavras sem sentido.
Dos versos decassílabos, ao vento.
Deveras, sem poesia e amor rugido!
Diversos, ao sabor teu, sem lamentos!

“Ser” métrico, sem dó, nos andamentos.
Desfaz da emoção, dá um não às promessas.
Se é ético e gentil, ver sentimentos!
Me deixa não, alegria, as tuas avessas!

Oh, clássico Soneto, de que vales?
Não sois a carruagem da emoção?
Porquê pendes vazio, ao que tu fales?

Aqueces, todo Amor dum coração!
E se, são regras, as força que te atem.
Te livra logo deste, afiado arpão!

E d i

2 Comments:

At 6/6/06 14:47, Anonymous Anônimo said...

Olá Edi,

Gostei desta sua maneira de repudiar os radicalismos lá da comunidade e defender a poesia livre ou também chamada de poesia moderna. De fato, para quem gosta e quer estar neste meio, é importante ter algum conhecimento das técnicas e estruturas da poesia pois isso será necessário em alguns momentos de criação, mas isso não é tudo, nem é o mais importante. O mais importante é o dom de traduzir em palavras escritas os nossos sentimentos e o mundo que vemos! Você demonstrou isso muito bem nos versos deste teu soneto, além de, ele ter ficado bonito, muito bem encadeado e com ótima rima e musicalidade. As poesias ficam muito boas quando juntamos nossos conhecimentos teóricos e gramaticais com nossas inspirações e sentimentos, mas sem sermos obrigados a seguir regras rígidas (não foi assim que foram criando-se as licenças poéticas?).

Parabéns

Admiro seus versos!
Gabriel V.M.

 
At 6/6/06 15:03, Anonymous Anônimo said...

Já li este soneto em algum lugar... rsrs... (sou da outra comu), e gostei das duas vezes que li... desta vez achei melhor... é isso ai nada melhor que provar a ausência de necessidade de metrica pela metrica...

parabéns...

 

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